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Duas falácias da Lei da Cópia Privada

“Conforme foi salientado por vários deputados no debate parlamentar do dia 4, a evolução que se tem operado na sociedade digital torna imperativa e inadiável a criação de uma Lei da Cópia Privada que, levando em conta as novas realidades tecnológicas, proteja os direitos dos autores e dos artistas, encerrando o capítulo da era analógica que a lei ainda em vigor tem mantido como principal referência”, lê-se no comunicado.

SPA congratula-se com “amplo consenso” para aprovação da lei da cópia privada [PUBLICO].

Tal posto brilhantemente pelo Marco Santos (aliás como é hábito no Bitaites) achar que todos somos culpados é logo um péssimo ponto de partida de uma lei que é mais um exemplo do resultado de pessoas legislam sobre algo que não conhecem, à imagem do que está a acontecer nos Estados Unidos com a lei de combate à pirataria.

Partindo do princípio que uma lei que cobra uma “taxa de pirataria” em dispositivos de armazenamento é aprovada há duas conclusões que facilmente se podem tirar:

  1. Como utilizador final passo a ter legitimidade moral para copiar, duplicar, baixar conteúdos livremente uma vez que estou a pagar uma taxa que cobre esses conteúdos.
  2. Como autor espero que sejam criados mecanismos de modo a receber a minha parte deste novo imposto, ou pelo menos, ter acesso a dispositivos de armazenamento sem a tal sobretaxa.

Mas este raciocínio tem duas enormes falácias:

  1. Ao invés de repensar um modelo de negócio da primeira metade do século XX, e atualizá-lo aos novos meios e a uma nova relação entre autores e consumidores que a Internet criou , a indústria prefere enfiar a cabeça no buraco e prosseguir com a caça às bruxas que tem mantido desde o Napster.
  2. Organizações como a Sociedade Portuguesa de Autores, ao contrário do que o nome pomposo possa levar a crer, são apenas cooperativas e lobbies que defendem os seus interesses e não os interesses dos autores, que continuam a ser o elo mais fraco.

Na verdade esta lei protege não o autor mas os lucros da indústria que dele se alimenta.

 

Mais leituras recomendadas:
Pena Antecipada sobre Crime Potencial [Blasfémias]
Os links da #PL118 [Jonasnuts]
Lei da Cópia Privada #pl118 – todos criminosos até prova contrária (1/2) [Aventar]
A Lei Minority Report [Bitaites]

Concursos fotográficos, um bom negócio…

Não gosto de concursos fotográficos, e isto alarga-se a muitos outros tipos de concursos criativos; são dos maiores embustes onde quem participa está crente na ilusão de promoção, de uma esperança vã de crédito reconhecido e possivelmente de um prémio (muitas vezes magro); mas na verdade não passam de uma forma fácil para quem os organiza, muitas vezes grandes empresas ou autarquias (ou como no caso abaixo, do novo concurso do Turismo de Lisboa), de obter conteúdos a um custo marginal, até porque muitas das vezes nem existe prémio monetário, tal como neste excerto das regras do novo concurso do Turismo de Lisboa:

(…)

Cada autor deve mencionar especificamente, no respectivo email ou carta, que cede ao Turismo de Lisboa todos os direitos de utilização das imagens que enviar;

O Turismo de Lisboa poderá utilizar todas as imagens recepcionadas, sejam elas premiadas ou não;

(…)

O prémio consiste na publicação de uma fotografia por mês, durante um ano, a partir de Novembro, na Revista Turismo de Lisboa-RTL, no Guia Follow Me e no site do Turismo de Lisboa. Será ainda atribuída uma peça em cerâmica, representativa de Lisboa, a cada um dos 12 vencedores;

via Visit Lisboa

A troco de um potencial destaque nos meios de comunicação da entidade e de uma mão cheia de peças de cerâmica para os vencedores, fica-se com um arquivo mais recheado de conteúdos sem quaisquer restrições ou limitações de utilização, conteúdos aos quais os autores abriram mão de todos os direitos de utilização, ainda por cima porque se tratam de todas as fotos a concurso e não só as doze vencedoras. Não querendo por em causa a má fé este concurso do Turismo de Lisboa, ou tantos outros, a verdade é que se trata de um bom negócio para algumas das partes, mas provavelmente não para todas…

My current photographic to-buy list

[Update] Only one more to go!

I’m waaay over my budget for photographic gear this year, with a handful of new cameras and lenses bought recently, but I still have some “special needs” I need to take care of.

  1. A light, portable and yet relatively sturdy tripod – I’m not a real nature photographer so I don’t want a “put any kind of lens with any camera, whatever the weight, whatever the weather conditions” tripod, I’m thinking in those neat carbon fiber Induro’s, I keep hearing good things about them. A brand new Induro tripod with an Novoflex head, a light tripod with a very compact and solid ballhead.
  2. A photographic monitor – Nuff said, a bigger monitor that uses an LCD technology with full color reproduction. A new monitor is on its way.
  3. Some kind of centralized storage, other than external hard disks, to have a bullet-proof backup strategy of my photos and the rest of my documents; something with redundant storage and smart enough to automatically back them up to my online storage, and certainly not a Drobo: I tend to avoid solutions using proprietary formats.

A cada vez maior fragmentação no universo Android

(Texto publicado originalmente no Diário2)


O iPhone tem uma grande vantagem em relação ao Android: um sistema operativo que corre apenas numa plataforma. Este tem sido, aliás, o caminho da Apple nos computadores e em tudo o resto, preferindo um sistema operativo orientado a uma arquitectura conhecida.

A Google, por seu lado, seguiu um caminho diferente para os dispositivos móveis: lançou um sistema livre e aberto a todos, em especial aos potenciais fabricantes que o poderiam adaptar às suas necessidades e assim conquistar uma maior fatia de mercado.

Uma das vantagens de se optar por um sistema exclusivo para uma arquitectura conhecida e para um único fabricante é que é fácil conciliar o os desenvolvimentos de ambos, permitindo ter um calendário de lançamentos único. O problema com o sistema Android é que cresceu imenso no último ano, cresceu exponencialmente em vendas, cresceu no número de fabricantes que o adoptaram e, mais importante, cresceu em funcionalidades e versões lançadas, e coordenar estes lançamentos com os prazos de cada um dos fabricantes não é fácil.

O exemplo disto é que nos próximos dias deverá ser lançada na Google I/O 2010 a mais recente versão do sistema, a 2.2, mas ainda são comercializados modelos com as três versões anteriores: 1.5 (que equipa os HTC Hero e Magic), 1.6 (presente no HTC Tattoo) e 2.1 (versão disponível nos dispositivos mais recentes).

Há uma cada vez maior fragmentação no universo Android, com todas as diferentes versões a coexistirem no mercado, a que se soma as diferentes variações de cada fabricante vai criando. Isto torna a vida complicada não só aos fabricantes como também a quem mantém os milhares de aplicações, ao ter de suportar todas estas variações (que contrasta com a tarefa mais simples de quem desenvolve aplicações para iPhone) ou optar por suportar apenas um subconjunto dos dispositivos existentes.

O Android está a crescer rápido, e com isso poderá no futuro tornar-se demasiado complexo e ramificado.

Empreendedorismo de quintal


Este tweet do Zé Fontainhas, um dos developers do WordPress e “guardião” da aplicação para língua portuguesa pôs-me a pensar no empreendedorismo e mentalidade empresarial em Portugal, ainda preso a este cantinho à beira-mar plantado, muito orientado às amizades e compadrios. Um espírito cultivado logo desde cedo nas universidades, precisamente o local que o deveria combater…

Chrome OS, o sistema operativo só para a Internet

Texto publicado originalmente no Diário2

A Google sempre quis que os utilizadores estivessem permanentemente online. Com o Google Search criou o hábito de não ser preciso guardar nada encontrado na Internet, pois é sempre possível encontrar seja o que for, o Gmail foi o primeiro serviço de email de massas com espaço de armazenamento suficiente para não ser obrigatório apagar mensagens e o Google Docs leva o “Office” para fora do disco rígido. Um dos próximos passos da Google será um sistema operativo próprio, o Chrome OS, e como não podia deixar de ser será muito orientado para a web, mais do que os utilizadores provavelmente estarão habituados.

Apesar de o Chrome OS apenas estar previsto para daqui a algum tempo, a data estimada de lançamento é final de 2010, é já possível testar as suas funcionalidades através de uma versão de teste do Chromium OS, o projecto open source que lhe serve de base. E não poderia ser um sistema operativo mais simples e básico, e o facto de ter o mesmo nome do navegador da Google não deixa enganar: o sistema operativo é o navegador, e apenas o navegador. Não existem aplicações a instalar, não existem utilizadores a criar ou configurar.

O arranque, extremamente rápido, leva-nos a um ecrã de autenticação, onde obviamente são usadas as credenciais do Google (ou Google Apps) para iniciar o sistema. Após este passo temos apenas uma janela com o já conhecido navegador Chrome ligeiramente alterado: uma pequena página de inicial com acessos rápidos aos serviços da Google e as mais conhecidas redes sociais (Twitter, Facebook, etc.). E na verdade resume-se isto, não é possível instalar aplicações externas, tanto mais que núcleo do Chrome OS é iniciado em modo de leitura (um sinal muito claro da Google que trata-se de um sistema “virado para a cloud”), nem alterar definições que não as do navegador. Aqui as aplicações serão os sítios abertos nos separadores do navegador, os serviços estarão todos fora do computador e a única possibilidade de adicionar funcionalidade será através da biblioteca de extensões do Chrome.

E o que esperar do Chrome OS? Claramente não é um sistema para substituir o Windows MacOS, ou Linux. A aposta da Google vai para mudar o paradigma, para apenas usar serviços remotos no dia a dia, ou esperar que os utilizadores assumam que na verdade já fizeram essa mudança mas ainda não repararam. Ainda há muita especulação em torno do Chrome OS, mas o mais certo que nem sequer esteja disponível para instalação num computador normal, sendo apenas disponibilizado através de dispositivos específicos que não serão mais que netbooks baratos e sem disco rígido com o sistema operativo já incluído. Resta esperar mais um ano até sair a versão final.

PS – No MakeUseOf existe um excelente tutorial (em inglês) que mostra como testar o Chrome OS a partir de uma pen USB.

Let’s do a #mobilePhotowalk !

Mário Pires has an interesting challenge for the forthcoming Sunday: a #mobilephotowalk! It’s a simple challenge, inspired by Chase Jarvis “The Best Camera Is The One That’s With You”, and limited to something as ubiquitous as a camera phone (no fancy lenses or cameras). There will be a real photowalk at Óbidos, but you can take part everywhere in the world.

For more details on how to participate check the link bellow:

Let’s do a #mobilePhotowalk!  [Retorta]

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O Mário Pires está a organizar um desafio bem curioso para o próximo Domingo: um #mobilephotowalk! A ideia não tem nada de complicado: inspirado pelo “The Best Camera Is The One That’s With You” do Chase Jarvis este projecto será limitado a telemóveis com camera fotográfica, não havendo objectivas, tripés e afins. Está agendado um evento real, com gente e tudo, em  Óbidos, mas pode-se participar a partir de qualquer parte do mundo.

Para mais detalhes sobre os vários pormenores do evento ver o link em baixo:

Let’s do a #mobilePhotowalk! [Retorta]

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